segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Por do sol no Espichel


19:45, cheguei, embora baixo no céu o disco solar ainda estava amarelo e suficientemente brilhante para não permitir uma observação directa, sem pressa sentei-me na muralha e observei o mar.


Por incrível que pareça não havia vento e o azul salpicado de reflexos de ouro estendia-se até ao horizonte calmo como um gigantesco lago, levadas por correntes de ar ascendente aos pares e trios as gaivotas passavam por baixo da minha posição, em direcção à falésia onde iriam provavelmente pernoitar.


Num impulso de partilha envio uma mensagem…

"Está em Sesimbra?".


"Não, estive todo o dia mas já me vim embora. Está tudo OK?"


Sorrio, o Universo nem sempre está do nosso lado… fica para a próxima!


"Tudo bem. Era só para a convidar a ver o por do sol no Espichel"


20:10, as cores começaram a mudar e do amarelo quase branco, o disco tornou-se laranja e daí ficando cada vez mais distinto transformou-se numa gigantesca moeda de ouro puro a mergulhar no mar.


A magia tinha começado, como um balão a moeda rompeu e incendiando tudo na sua passagem de repente um rio de lava ardente desceu para o mar criando assim um triângulo de ouro, que passando de onda em onda se estendeu do horizonte até à praia, lá em baixo no limite da falésia.


Um casal de Franceses veio sentar-se perto, como eu calados, deixaram-se ficar observando o dia a morrer neste festival de cores infernais.


20:20, do que foi uma bola de fogo ardente já só resta uma linha de vermelha no limite do horizonte, como uma cortina que fecha, as pontas aproximam-se até que finalmente nada mais resta para além do ponto de fogo, que nos fica impresso na retina.


20:22, levanto-me, silenciosamente cumprimento os Franceses e regresso ao carro.


A neura tinha passado… abro as janelas, ponho os U2 bem alto e com um sorriso nos lábios rumo para casa.

1 comentário:

Sofia disse...

Curioso, eu vi esse pôr-do-sol na fila do ferry para Setúbal e vi-o reflectido no Sado e ser substituído por milhares de pontinhos luminosos da cidade e das indústrias. Fotografei a evolução do crepúsculo e o hotel que muda de cor... mas para a próxima, vou por Grândola.